FRP – Farrapa Housing

Cliente
Privado

Ano
2018

Dimensão
1100 m2

Tipo
Habitação coletiva

Localização
Arouca, Portugal

Equipa
Samuel Gonçalves, Inês Vieira Rodrigues, João Meira, Giacomo Tacchi

O projeto baseia-se numa pré-fabricação total em betão armado. Os painéis modulares compõem todos os elementos da construção: fachadas, coberturas e divisórias interiores. A tipificação de elementos permitiu acelerar e simplificar a obra, marcando simultaneamente a imagem do edifício.

No total, o projeto alberga 5 fogos – três com dois pisos, dois com um só piso. Ao nível do rés-do-chão, os fogos apresentam uma planta retangular, ficando cada um deles com duas frentes livres. No piso superior surgem três caixas paralelepipédicas, separadas, dispostas irregularmente, sobre a grande laje de cobertura do piso inferior. O espaço livre entre elas é ocupado com terraços, acessíveis por escadas de um lanço desde a parte posterior do edifício, voltados a nascente, de frente para a Serra da Freita.

Os painéis de parede pré-fabricados formam entre si um vão livre de 6,30m, constituindo elementos portantes verticais sobre os quais pousam peças de pré-laje que compõem a cobertura do rés-do-chão. Esta laje funciona como como elemento de corte na imagem do edifício: abaixo desta, todos os módulos são em betão à cor natural; acima, o betão é pigmentado, assumindo a cor verde, separando visualmente as três caixas da base do edifício onde estas pousam.

Cada fogo possui uma entrada individualizada a partir da rua, que faz a ligação com um espaço exterior coberto, onde se localiza a porta que dá acesso aos espaços comuns de cada casa. O acesso é tão direto quanto possível – entra-se na casa a partir da sala, e é a partir desta que se distribuem os restantes compartimentos e acessos, dispensando átrios e reduzindo ao mínimo as áreas de circulação.

A compartimentação interior é definida por painéis pré-fabricados que funcionam simultaneamente como contraventamento e reforço da estrutura, evitando a utilização de alvenarias adicionais. Por essa razão, o betão é o elemento mais presente também no interior do edifício. Não obstante, devido às especificidades dos moldes utilizados na produção destas peças, cada uma apresenta duas faces diferentes – uma lisa e uma rugosa. O projeto desenvolveu-se com esta condicionante, procurando tirar partido, sempre que possível, das faces lisas e ocultando as faces rugosas em superfícies escondidas por equipamentos de cozinha, armários ou revestimentos cerâmicos nas instalações sanitárias.

Tanto ao nível do rés-do-chão como do piso superior os fogos apresentam duas frentes (nascente e poente), favorecendo a ventilação natural cruzada e a boa exposição solar, facto que motiva a inexistência de qualquer sistema de climatização ou de ventilação mecânica.

Fotografias ©Alexander Bogorodskiy