4 Creches Modulares

Cliente
Câmara Municipal de Lisboa

Ano
2023

Dimensão
760 m2 + 760 m2 + 570m2 + 570m2

Tipo
Equipamento escolar

Localização
Lisboa, Portugal

Equipa
Samuel Gonçalves, Inês Vieira Rodrigues, João Meira, Sara Perfetti, Adina Staicu

Neste projeto, o atelier explorou pela primeira vez um sistema pré-fabricado e modular tridimensional baseado em peças de betão armado em forma de “U”, que vão sendo agrupadas e sobrepostas de acordo com as necessidades do programa. Este sistema permitiu acelerar significativamente o processo de construção: em apenas 13 meses construíram-se em simultâneo estas 4 creches, em diferentes pontos da cidade de Lisboa.

Os edifícios surgem em resposta a um projeto de iniciativa pública para a construção de creches em várias zonas da cidade de Lisboa, através de um concurso lançado por este Município. Partiu-se de uma solução tipificada que possibilitou uma intervenção económica, de rápida execução e com a criação de uma imagem identitária, tornando estes equipamentos reconhecíveis ao longo da cidade.

A proposta baseia-se na sobreposição de módulos estruturais em betão armado, com secção em “U”, que configuram os paramentos do edifício. A opção deste material prende-se não apenas com a configuração modular, mas também com a exigência patente no programa do concurso de garantir soluções de elevada e comprovada durabilidade e de baixa manutenção.

A tipificação das soluções implica naturalmente uma analogia formal entre as quatro creches. A imagem dos edifícios advém das potencialidades e das limitações impostas pelo sistema construtivo modular. A partir do exterior, é possível ter uma clara leitura tectónica dos edifícios – as juntas são assumidas, percebe-se cada um dos módulos e a forma como estes são dispostos e sustentados.

Estas 4 creches apresentam uma distribuição orgânica e funcional semelhante: dois grupos de módulos “U´s” sobrepostos, onde temos os vários compartimentos, e um corredor central entre eles, onde se encaixa toda a circulação horizontal e vertical (corredores, caixas de escadas e elevadores). É também nestas linhas de corredores centrais que se dispõem os troços principais das infraestruturas de climatização e de ventilação, que chegam aos compartimentos pelas paredes laterais que lhes são contíguas. Os espaços de circulação são retos e lineares, facilitando a orientação dos utilizadores no interior do edifício e a visibilidade entre todas as áreas, promovendo a funcionalidade e a segurança.

Os espaços exteriores foram desenhados como prolongamento das atividades do espaço interior. Propõem-se algumas zonas pavimentadas antiderrapantes, de forma a possibilitar a utilização de brinquedos com rodas. Considerou-se também a existência de espaços de jardim, para o desenvolvimento de atividades ao ar livre com as crianças. O coberto vegetal na maioria da superfície exterior, contribui para a permeabilidade dos solos. O cuidado na escolha das espécies vegetais e arbóreas recaiu em critérios de adaptação ao clima, baixa necessidade hídrica e exclusão de espécies suscetíveis de criar problemas alérgicos.

As creches distribuem-se em dois pisos, tornando-as mais compactas em termos de implantação, de forma a responder à exiguidade dos terrenos (todos eles em zonas urbanas consolidadas) e a libertar o maior espaço possível para as zonas de recreio. O essencial do programa de serviços (cozinha, zona administrativa, rouparia, …) localiza-se ao nível do rés-do-chão, e as várias salas de atividades destinadas às crianças distribuem-se pelos dois pisos. Todas estas salas estão em contacto direto com o exterior – no piso inferior com o recreio, no piso superior através de terraços.

Todas as peças estruturais destes edifícios (inclusivamente as fundações) foram produzidas em fábrica, sob condições altamente controladas e monitorizadas, sendo posteriormente montadas in situ em poucos dias. Para além da estrutura, estas peças configuram também o essencial da Arquitetura do edifício – elas definem as fachadas, os pisos e a compartimentação interior. Este processo permitiu não só uma clara aceleração do processo de construção, como um maior controlo do mesmo, evitando betonagens em obra, reduzindo o desperdício e o impacto da obra na envolvente próxima – menos ruído, menos pó, menos ruas cortadas. Pretendeu-se desta forma dar resposta a um dos objetivos centrais do Município: aumentar a rede de creches públicas da cidade, sem castigar a vizinhança onde estas se inserem durante a sua construção. Em suma, processo e resultado assumiram a mesma importância neste projeto.

Fotografias 2-5; 9-11; 13-16 ©Fernando Guerra FG+SG;  6-7 ©Ana Gil